Post #02 - Estado do Ensino Superior
"Na realidade, esta filosofia do "o que é bom é ter um cursinho" é uma fraude social generalizada. O Estado aprova e financia cursos fracos ou desnecessários, leccionados por professores em muitos casos impreparados e desmotivados, e por onde passam alunos sem qualquer objectivo de crescimento intelectual. Um dos melhores efeitos da crise poderá ser uma mudança fundamental de percepções na educação. De que vale investir num curso superior para acabar a trabalhar numa caixa de hipermercado?"
O ensino superior (à semelhança de outras coisas tais que muitas...) é uma boa reflexão que nos ajuda (infelizmente) a compreender as mentalidades dos que governam este pais, e do socialismo como modelo de governação que muitos exibem de peito cheio e aberto.
ResponderEliminarIgualdade não deve ser palavra de ordem para incentivar o facilitismo, caso ninguém tenha reparado o facilitismo está presente em todos os cantos do nosso pais e a ele está justaposta um decadência de valores que em nada beneficia a nossa sociedade. Queixa-mo-nos que ainda não temos gerações preparadas para serem empreendedoras, como podem ser se tudo lhes é dado de braços abertos?
Claro que o estado tem de apoiar quem é mais desfavorecido. Agora pergunto não pode apoiar e manter um sistema de ensino competitivo e piramidal que assegure quadros técnicos competentes em vez de termos uma ampulheta em que a metade de cima são "ingenhêres" o resto caminha para iliteracia numa sociedade em que o conhecimento é essencial!
O estado pode continuar a dar apoios em todos os níveis para que ninguém deixe de se formar por incapacidade financeira, mas que não deixem de lutar para lá chegar e que o estado não ofereça tudo de mão beijada assim que se ouve a palavra "desfavorecido".
Vou para que o texto já vai longo!
De acordo, mas isso nada tem a ver com o centro da questão. Todos concordam em apoiar quem é mais desfavorecido. Mas isso tem de significar dar uma hipótese para se formarem e não "não precisas de fazer nada que passas de ano" ou "toma um curso que não serve para nada, não aprendes nada e passes sempre."
ResponderEliminarO problema é que se quer quantidade e não qualidade, qualidade essa não existe por regra no ensino público. Actualmente, com a passagem do ensino obrigatório até ao 12ºano, enorme disparate, estragou-se mais 3 anos. E num futuro breve, já começou, as faculdades estão a baixar significativamente o nível.
Vejo um 'buraco negro' no futuro da educação em portugal, em termos gerais prejudica gravemente o país, em termos pessoais permite-te mais facilmente sobressair dos restantes.
Se há assunto que discuto muito é este e podia dizer muito mas vou tentar não me alongar. Pego desde já na tua última frase que é importante. Prejudica gravemente o país em termos gerais, sem dúvida. Desde logo a nível social/cultural pois estamos a apostar nas estatísticas e em passar uma imagem falsa do país. A nível geral pois o facilitismo não é só no ensino, temos de pensar que o facilitismo é concedido a pessoas que (mais cedo ou mais tarde) irão entrar no mercado de trabalho. Pessoas que não foram estimuladas da maneira correcta, não foram ensinadas a pensar, a ter uma opinião. São pessoas que não vão ser muito produtivas de certeza. Isso torna-nos um país com um nível de produção terrível e isso abarca logo uma série de problemas.
ResponderEliminarPeço desculpa por me ter desviado, é sempre complicado não dizer certas coisas. O facto de o Nuno Crato estar agora à frente da educação (e ter juntado à pasta o ensino superior) agrada-me pois é uma pessoa totalmente contra o facilitismo. Contudo, apesar de estar à espera de coisas boas da parte dele, não pode ser só o ministério da educação a mudar as coisas, tem de se mudar principalmente a mentalidade dos portugueses.
Quanto ao assunto propriamente dito, a educação precisa de uma grande reforma, seria bom começar a olhar um pouco para sistemas de ensino como os dos países nórdicos por exemplo. E depois é a questão da mentalidade que é importantíssima. Não é por acaso que estamos num país em que os filhinhos já são chamados de doutores mal acabam a licenciatura. Todos os pais querem os filhos formados, são poucos os que pensam fora dessa caixinha. Não somos todos iguais, não podemos ser. Admiro muito os jovens que a certa altura dão conta que querem uma profissão mais técnica e decidem apostar nisso e ir contra a corrente do ensino superior. Claro que depois as pessoas admiram-se do facto dos licenciados não terem emprego mas pessoas com cursos profissionais terem. Este país precisa é de técnicos. Precisa de acabar com cursos "ridículos", repensar as vagas de tantos outros cursos. Os jovens têm de pensar um bocadinho e deixarem de se limitar a criticar o governo por não arranjar vagas para todos os meninos que acabam o cursozinho. Aprendam a lutar, a fazer mais. Se há coisa que podem acusar é de o governo não reduzir vagas de cursos que já estão mais que cheios. É uma pena um jovem querer trabalho no seu país e não encontrar? É. Mas está na altura de arcar com as consequências e olhar de frente para o problema em vez de ficar a chorar. Chega de miminho Geração à Rasca, é hora de lutar em vez de ficar na esplanada da faculdade a beber o dia inteiro.
(Para que não fiquem a achar que sou uma velha jarreta, tenho 21 anos, faço parte da geração que se denomina Geração à Rasca mas não acho que estou à rasca porque luto por isso.)
Olá 'Sharapova' :)
ResponderEliminarNão te conheço pessoalmente mas sendo benfiquista de certeza que és boa pessoa ;p ao menos tens bom gosto xd
Já vi que fizeste vários comentários, irei ler todos com atenção à medida que vá tendo tempo, como já fiz com este, sente-te à vontade, como se estivesses em casa :p A ideia do blog é exactamente essa, discutir abertamente e à vontade assuntos actuais. Fico lisonjeado pelo teu interesse em seguir o blog e por este comentário sem dúvida nenhuma que és um grande upgrade à qualidade do mesmo. bla bla wiskas saquetas, claro que não vou ter esta conversa sempre, é só para te dar as boas-vindas e alguma coisa que não gostes diz, nunca leves a mal as respostas, a ideia é mesmo essa, discutir! :)
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Quanto ao que interessa, o post, concordo com tudo o que disseste.
Mudar mais tarde esta paradigma irá demorar gerações, não se muda com uma nova lei ou método de ensino. E Portugal sendo um país da UE, com o Euro como moeda, só pode ganhar à concorrência pela qualidade, e este não é o caminho.
Também tenho boa imagem do novo Ministro da Educação e do Ensino Superior, Nuno Crato, dá realmente uma nova esperança de melhoramento de 6 anos a lixar todo o ensino (incluindo o ensino secundário e mesmo agora as universidades). Mas não parece começar bem... mas não tenho lido muito sobre isso.
Verdade que o Ensino precisa de uma grande reforma, nem todos precisam de ir para a Universidade, nem todos precisam de acabar o Ensino Secundário. Basta que aprendam o básico, o Ensino Básico é que devia por enquanto continuar como o ensino obrigatório. Há realmente cursos que deviam ser repensados, vagas que deviam diminuir, e outras aumentar. Há realmente muito a melhorar, tanto que não se percebe o que andamos a fazer.
Obrigada pela boa recepção, mal vi o blog interessei-me logo, acho que é uma excelente ideia!
ResponderEliminarTambém concordo, claro que vai demorar. Os portugueses precisam de injecções de confiança, optimismo, querer...todos juntos conseguimos levantar este país que tem tanta coisa boa! A educação há-de chegar a bom porto também e espero que comecemos a formar melhores gerações no futuro.
Achas que o Nuno Crato começou mal?
Uma vez mais digo, o que precisamos realmente é de uma mudança de mentalidades e o ensino terá obrigatoriamente de demonstrar essa mudança. É de pequenino que se torce o pepino!
Concordo. Começou mal devido às confusões que houve com a colocação dos professores, com as escolas que não se sabia se iam funcionar, com medidas que não se sabia se iam ser aplicadas (maioritariamente devido às medidas de austeridade), por aí.
ResponderEliminarO governo tendo de assegurar educação e saúde ao seu povo não devia fazer cortes nestas duas áreas a menos que sejam justificados. É o caso do fecho de alguns cursos e diminuição de vagas em outros. http://digital.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/cortes-vao-levar-a-despedimentos-e-fecho-de-cursos-no-ensino-superior_1510369
ResponderEliminarAté deve é investir mas não podendo fazer isso neste momento, pelo menos não cortar. Há escolas que talvez devam ser fechadas, tudo bem. Mas tudo isso tem de ser bem medido, dois miúdos que vivem isolados não devem ficar sem o direito de estudar. Mesmo sendo pior para eles, que se arranje pelo menos o transporte de ida e volta. O que se poupa com o fecho da escola dá perfeitamente para isso.